Pílula do dia seguinte: prazo, como tomar e o que ela faz
Por Gabriel Canhete Machado, médico, CRM-SP 262.368. Publicado em .
A pílula do dia seguinte é a contracepção de emergência: ela serve para depois de uma relação sem proteção, quando a camisinha rompeu ou quando a pílula de todo dia foi esquecida. Funciona melhor quanto mais cedo você toma, e o prazo comum é de até 72 horas. Ela age antes da fecundação, atrasando ou impedindo a ovulação. Vale entender o que ela resolve, o que ela deixa de fazer e o que fazer nos dias seguintes.
Pílula do dia seguinte: qual é o prazo
Quanto mais cedo, melhor. A chance de funcionar é maior nas primeiras horas e vai caindo com o passar dos dias, então tomar hoje vale mais do que tomar amanhã.
- Levonorgestrel, a versão mais vendida: comprimido único de 1,5 mg (ou dois de 0,75 mg juntos), com prazo de até 72 horas depois da relação.
- Acetato de ulipristal: comprimido único, com prazo de até 120 horas, ou seja, 5 dias.
- DIU de cobre: colocado por profissional de saúde em até 5 dias, é a opção mais eficaz e já fica valendo como método contínuo depois.
Tome com água, a qualquer hora do dia, com ou sem comida. Se você vomitar nas primeiras 3 horas, o comprimido pode ter saído junto: fale com um médico sobre repetir a dose.
O que ela faz e o que ela deixa de fazer
O que ela faz: age principalmente atrasando ou impedindo a ovulação, de modo que o espermatozoide encontre o caminho vazio. Também deixa o muco do colo do útero mais espesso, o que dificulta a subida dos espermatozoides.
O que ela deixa de fazer:
- Interromper uma gravidez que já existe. Ela atua antes da fecundação, por isso é prevenção, e não aborto.
- Proteger contra infecções sexualmente transmissíveis. Para isso, a camisinha continua sendo o método.
- Servir de método de rotina. Ela tem taxa de falha maior do que os métodos contínuos e mexe mais com o ciclo.
- Proteger as relações que vierem depois. Do dia seguinte em diante, use camisinha até começar um método regular.
Alguns remédios reduzem o efeito dela, como rifampicina, certos antiepilépticos e a erva de são joão. Peso corporal mais alto também pode diminuir a eficácia do levonorgestrel. Nesses casos, o DIU de cobre é a alternativa mais segura, e vale conversar com um médico no mesmo dia.
Onde conseguir e quanto custa
A pílula de emergência é vendida em farmácia sem precisar de receita, e o balcão pode orientar sobre a apresentação. Nas Unidades Básicas de Saúde ela é oferecida de graça, inclusive para adolescentes, com sigilo.
Se a relação envolveu risco de HIV, existe outro prazo que corre junto: a profilaxia pós-exposição (PEP) precisa começar em até 72 horas e é gratuita em serviços de saúde do SUS. Em caso de violência sexual, os serviços de referência oferecem contracepção de emergência, PEP, exames e acolhimento, sem exigência de boletim de ocorrência.
Efeitos comuns e a menstruação
Os efeitos costumam ser leves e passam em um ou dois dias: enjoo, dor de cabeça, sensibilidade nas mamas, cansaço, cólica e um pequeno sangramento fora de hora.
A menstruação pode vir adiantada ou atrasada em até uma semana, e o fluxo pode mudar de intensidade nesse ciclo. Se o atraso passar de 7 dias, faça um teste de gravidez. Também vale testar se a menstruação vier muito diferente do normal, bem mais fraca ou bem mais curta.
Tomar mais de uma vez no mesmo ciclo é possível, e não existe um número mágico de vezes na vida. O ponto é outro: repetir com frequência significa que o método de rotina está faltando, e é isso que merece atenção, porque a proteção contínua é bem maior.
Onde a consulta online ajuda
Por vídeo, dá para resolver bastante coisa no mesmo dia: conferir se o prazo ainda permite a contracepção de emergência, escolher entre as opções conforme o remédio que você usa e o seu peso, orientar a dose, calcular quando fazer o teste de gravidez, pedir os exames de infecções sexualmente transmissíveis e organizar o método contínuo, com receita online assinada digitalmente quando houver indicação. O médico também explica o que esperar do sangramento e quando voltar a procurar ajuda.
O limite é honesto: a colocação do DIU de cobre, o exame ginecológico e o atendimento de violência sexual acontecem presencialmente, e dor forte na barriga ou sangramento intenso pede avaliação no mesmo dia, com exame físico. Nesses casos, a consulta online serve para te dizer para onde ir e o que levar.
Perguntas frequentes
pílula do dia seguinte funciona depois de quantos dias?
O levonorgestrel tem prazo de até 72 horas e o acetato de ulipristal de até 120 horas, sempre com mais chance de funcionar quanto mais cedo você toma. O DIU de cobre pode ser colocado em até 5 dias e é a opção mais eficaz.
pílula do dia seguinte precisa de receita?
Não precisa: ela é vendida em farmácia sem receita. Nas Unidades Básicas de Saúde é oferecida de graça, com sigilo, inclusive para adolescentes.
quantas vezes pode tomar a pílula do dia seguinte?
Dá para usar mais de uma vez quando houver necessidade, inclusive no mesmo ciclo. Só que a proteção dela é menor do que a dos métodos de rotina, então repetir com frequência é sinal de que falta combinar um método contínuo com o médico.
pílula do dia seguinte atrasa a menstruação?
Pode adiantar ou atrasar em até uma semana e mudar o fluxo nesse ciclo. Atraso maior que 7 dias pede teste de gravidez.
pílula do dia seguinte corta o efeito do anticoncepcional?
O levonorgestrel deixa você seguir a cartela normalmente. Com o acetato de ulipristal, a orientação é esperar 5 dias para retomar ou iniciar o anticoncepcional hormonal, usando camisinha nesse período. Confirme com seu médico qual foi a sua situação.
Procure atendimento presencial: Dor forte de um lado da barriga, desmaio, tontura ao levantar, sangramento vaginal intenso que encharca mais de um absorvente por hora ou atraso da menstruação com dor no ombro pedem pronto-socorro no mesmo dia, para afastar gravidez fora do útero. Ligue 192 (SAMU) em caso grave.
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